Editorial: ser nerd em casal: uma jornada compartilhada no mundo geek
Oi pessoal!
Tem um tempo que venho querendo fazer posts mais editoriais. Vocês sabem o que é um editorial? São aqueles textos opinativos cheios de referências que falam de um assunto em específico, com uma narrativa até de vivências para ilustrar bem um assunto. Achou familiar?
Aqui no Tear não é uma novidade, mas resolvi aprimorar mais esse tipo de texto, com mais referências para vocês.
Eu, hoje, gostaria de falar sobre ser um casal nerd.
Amar alguém que também é nerd pode parecer a receita perfeita para a harmonia geek: maratonas sem fim, coleções compartilhadas, cosplays combinando. Mas a verdade é que, às vezes, o relacionamento parece mais um crossover entre dois universos com estilos muito diferentes de narrativa.
Ele me apresentou Rocky, e eu chorei. Eu mostrei Amor, Sublime Amor, e ele… dormiu. A gente ri disso até hoje. Porque ser um casal nerd não significa gostar das mesmas coisas sempre, mas sim respeitar o universo do outro, mesmo que ele tenha legendas ou lutas demais.
Às vezes, a gente assiste separado. Outras vezes, revê juntos aquilo que marcou. O importante é que sempre tem algo novo para apresentar, indicar, discutir.
Nós dois adoramos o Batman — esse é nosso território neutro, o ponto de encontro no meio do caos da cultura pop. Mas até aí temos nossas divergências: enquanto ele prefere as HQs, eu sou completamente apaixonada pelas animações.
Para mim, tanto a Série animada dos anos 90 quanto as mais recentes são insuperáveis. Ele, por outro lado, argumenta com paixão sobre os arcos como Cavaleiro das Trevas, Silêncio e A Piada Mortal, citando roteiristas como se fossem filósofos.
E aí vem Thor: Amor e Trovão. A pedra no nosso sapato mitológico. Enquanto eu me diverti horrores com o tom nonsense, ele terminou o filme com a sobrancelha arqueada e dizendo que “não era isso que o personagem merecia”. Esse tipo de diferença virou pauta constante: DC ou Marvel, filme ou HQ, piada ou épico? E acredite, Overcooked já causou menos confusão que uma discussão sobre o roteiro de Multiverso da Loucura.
Ser nerd em casal não significa gostar das mesmas coisas da mesma forma — significa respeitar a jornada do outro no fandom.
Ainda assim, encontramos um ponto de união inusitado: os X-Men. Ninguém aqui resiste a uma boa história de marginalizados com superpoderes, uma base secreta no subsolo e dramas dignos de novela mexicana interplanetária. Foi na animação X-Men ‘97 que percebemos que, por mais diferentes que sejamos em gostos, estilos ou plataformas, há algo maior que nos conecta: o amor por boas histórias — e por contar a nossa, juntos.
Jogar Overcooked foi quase terapêutico. Com personagens que precisam se ajudar, o jogo virou metáfora do nosso dia a dia. Já It Takes Two… bem, esse testou os limites do nosso relacionamento e do nosso autocontrole. Se sobrevivemos àquilo, sobrevivemos a qualquer DLC da vida.
Ser nerd em casal é isso: equilibrar diferenças, compartilhar paixões e aceitar que nem sempre vamos amar os mesmos filmes — mas vamos amar conversar sobre eles por horas a fio. É construir um universo próprio, com suas fases, reviravoltas, coleções e códigos de afeto que só a gente entende.
Porque no final das contas, o que importa não é se você prefere as animações e ele, as HQs. É saber que em algum lugar entre Gotham e Krakoa, vocês continuam jogando juntos. E que o verdadeiro superpoder é esse: seguir lado a lado, mesmo quando o roteiro surpreende.
No fim, amar sendo nerd é como viver num RPG cooperativo. Você tem que confiar no parceiro, dividir XP, enfrentar fases difíceis e comemorar juntos as conquistas. Tem bug, sim. Mas também tem DLC emocional, atualizações constantes e finais alternativos — porque a jornada é o que vale.
O que a gente vive pode não ser épico aos olhos de todo mundo, mas é o nosso multiverso. E isso já é suficiente.